Numa sociedade líquida-moderna
Sólidos são os elos da corrente que nos prendem
Cada qual ao seu umbigo
Um-a-um em si mesmo
Envolto pelas benefes hedonistas
que carrega a multidão solitária
Solidária da sua própria causa
Dos seus próprios pensamentos
e egoísmos sem precedentes ou limites
Nessa história pobre e rala da desumanidade.
A multidão não tem coração
Não renasce, vive e nem morre.
Ela se arrasta pelo tempo.
Perdura não sei como.
Mas existe, e só - mesmo sem vida!
Não é hereditária nem tradicionalista:
Existe simplesmente por existir
Sem razão de ser ou crer
Mas pela de sobreviver num submundo
Com suas unidades privadas de sub-humanos
Todos sub-amados e sub-julgados
Como bem deve sub-ser.
Donos de si acenam quando donos de nós
Donos dos laços de arame farpado
Produzem o alimento pra carro
Pra comprar a unidade que falta
e até a do trabalhador expropriado
Preso em si, algemado pela cortina de fumaça
Ancorado no seio direito da sociedade
e no ventre materno burguês da maldade.
Das relações vazias de afeto
Mas cheias de domínio e legitimidade.
O prazer ta na vida, mesmo se mal vivida.
domingo, 29 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
"Você me chamou pra dançar aquele dia"
_______________________
Da série: Só sei dançar com você
_______________________
(...)
Me confundo num copo
De gelo e Whisky
Pra podermos nos deitar.
Cabeças leves, vazias feito o nada
Corações aflitos, mas cheios
Nos permitindo ao sentimento pétreo
Pai de todos os desejo que constituem os pensamentos avulsos
Na plataforma física e surreal do momento.
E num instante, até o tempo faz o mínimo de sentido
Ou até nenhum, mas isso já não importa
É meu carma.
Tomo mais uma dose da coragem sórdida
Que é pra não findar as sensações da pele
A carne da alma precisa respirar!
Às levarei comigo, e hão de serem conservadas
De modo a eterniza-las!
Daria minha palavra se ela já lhe valesse algo.
O pensamento transcorre e já beira a loucura
Minha língua vai passear pelo teu corpo
Teu corpo se retorce de vontade
E pede, em gestos, pra que dancemos
Corpo e alma em ritmo, na mesma sintonia
Embriagados pelo desejo livre de pudor
De provar do amor do outro.
Seu corpo pede.
O meu aceita.
Dançaremos a noite toda
Sem perder o compasso
E a beleza dessa melodia.
Da série: Só sei dançar com você
_______________________
(...)
Me confundo num copo
De gelo e Whisky
Pra podermos nos deitar.
Cabeças leves, vazias feito o nada
Corações aflitos, mas cheios
Nos permitindo ao sentimento pétreo
Pai de todos os desejo que constituem os pensamentos avulsos
Na plataforma física e surreal do momento.
E num instante, até o tempo faz o mínimo de sentido
Ou até nenhum, mas isso já não importa
É meu carma.
Tomo mais uma dose da coragem sórdida
Que é pra não findar as sensações da pele
A carne da alma precisa respirar!
Às levarei comigo, e hão de serem conservadas
De modo a eterniza-las!
Daria minha palavra se ela já lhe valesse algo.
O pensamento transcorre e já beira a loucura
Minha língua vai passear pelo teu corpo
Teu corpo se retorce de vontade
E pede, em gestos, pra que dancemos
Corpo e alma em ritmo, na mesma sintonia
Embriagados pelo desejo livre de pudor
De provar do amor do outro.
Seu corpo pede.
O meu aceita.
Dançaremos a noite toda
Sem perder o compasso
E a beleza dessa melodia.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Até Então
Se se foi, que vá.
Não seria justo insistir pra ficar.
E se se vai, vai lento
Vai devagar
Vai como quem não queria ir
Vai pedindo pra ficar.
Mas vai.
Longe vai.
O mesmo que veio.
De novo, e de novo
É ele quem vai
E vai com presa
que é pra logo voltar
Vai com tudo
que é pra não se cansar.
Só peço que não se perca
E guarde os nossos beijos
nossos passeios
noitadas
biritas
mensagens
conversas
geladas.
Faça disso tudo experiência
de uma estória mal contada.
Mas se se foi, que vá!
Já disse: não seria justo insistir pra ficar!
Mas o que deus fez de justo nessa vida tão sem graça?!
Não consigo me lembrar.
Aqui, me sobra injustiça
E não cabe no travesseiro
Quando tento me deitar.
Pode ir indo, que tão logo não irei atrás.
Não seria justo insistir pra ficar.
E se se vai, vai lento
Vai devagar
Vai como quem não queria ir
Vai pedindo pra ficar.
Mas vai.
Longe vai.
O mesmo que veio.
De novo, e de novo
É ele quem vai
E vai com presa
que é pra logo voltar
Vai com tudo
que é pra não se cansar.
Só peço que não se perca
E guarde os nossos beijos
nossos passeios
noitadas
biritas
mensagens
conversas
geladas.
Faça disso tudo experiência
de uma estória mal contada.
Mas se se foi, que vá!
Já disse: não seria justo insistir pra ficar!
Mas o que deus fez de justo nessa vida tão sem graça?!
Não consigo me lembrar.
Aqui, me sobra injustiça
E não cabe no travesseiro
Quando tento me deitar.
Pode ir indo, que tão logo não irei atrás.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Ela soube ser pornográfica!
- Não me lembro do motivo ou ocasião, mas em face dos últimos acontecimentos, me pus a pensar em nada, e isso me surgiu de repente. O dono do que segue abaixo é Carlos Drummond de Andrade, mas não é nele que penso quando leio...
- Ela me deu esta poesia em papel pintado, e eu sinto por nunca ter dado nada a ela - espero que me desculpe por isso.
Abre aspas...
- Em face dos últimos acontecimentos
Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
que o nosso avô português?
Oh! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.
A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).
Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última solução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.
Propõe isso ao teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?
Fecha aspas.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Oração (de malungo pra menina).
Sou teu devoto
Teu fiel adorador
Oh, menina santa querida
Da pele cor-de-pêssego
Mãe dos filhos que nunca quis ter
Avó dos netos que nunca virão
Quem sabe um dia eu seja como tu
Nobre de coração
E facínora no perdão
Faz amor comigo
Menina santa, minha querida
Diz mais uma vez
Que meu sexo saciou a tua fome
E que nada é mais verdade
Que meu sorriso atoa
Seguido de um beijo roubado
Mesclado de desejo e pudor
Te prometo lealdade, menina
Aquela que nunca tive para comigo mesmo
Te prometo me entregar
Oh santa divina
De corpo e espírito
Sendo eu mesmo sempre que possível
Mesmo não sabendo
Nem quem sou ou quando ser.
Tenha paciência!
Minha castidade é tua
Fruto da desordem
Faça o que quiser com ela!
Meu voto de pobreza
É pretexto pra dividir a simplicidade da vida com você
Dividir tudo que é belo e casual
E contar as moedas pra pagar a cerveja
Num domingo Natal
Eu às de cinco, você às de dez.
De forma erudita e despojada
Tudo bem natural
Tua oração
Farei todas as noites ao me deitar
Oh, minha querida
Sentindo na boca o teu gosto
E deleitando-se de nós
Pra poder sonhar
E ao acordar, te ver entregue
Dormindo em meus braços
Sem se preocupar
Se um dia a nossa luz vir a se apagar.
Teu fiel adorador
Oh, menina santa querida
Da pele cor-de-pêssego
Mãe dos filhos que nunca quis ter
Avó dos netos que nunca virão
Quem sabe um dia eu seja como tu
Nobre de coração
E facínora no perdão
Faz amor comigo
Menina santa, minha querida
Diz mais uma vez
Que meu sexo saciou a tua fome
E que nada é mais verdade
Que meu sorriso atoa
Seguido de um beijo roubado
Mesclado de desejo e pudor
Te prometo lealdade, menina
Aquela que nunca tive para comigo mesmo
Te prometo me entregar
Oh santa divina
De corpo e espírito
Sendo eu mesmo sempre que possível
Mesmo não sabendo
Nem quem sou ou quando ser.
Tenha paciência!
Minha castidade é tua
Fruto da desordem
Faça o que quiser com ela!
Meu voto de pobreza
É pretexto pra dividir a simplicidade da vida com você
Dividir tudo que é belo e casual
E contar as moedas pra pagar a cerveja
Num domingo Natal
Eu às de cinco, você às de dez.
De forma erudita e despojada
Tudo bem natural
Tua oração
Farei todas as noites ao me deitar
Oh, minha querida
Sentindo na boca o teu gosto
E deleitando-se de nós
Pra poder sonhar
E ao acordar, te ver entregue
Dormindo em meus braços
Sem se preocupar
Se um dia a nossa luz vir a se apagar.
Fala e diz.
Pobre do eu.../
Mal consegue dizer!/
Não diz, não escreve/
Se não escreve, não pensa/
Na onda que passa e leva a leveza/
Com ela, a alegria em par/
A vontade de sorrir, longe vai/
Leva também a pureza/
Dos últimos dias, fica a dor/
Só ela, com ela mesma e eu/
Deixa o nós no singular/
Já que o plural do eu dói e machuca/
Cada vez mais, aumentando a dor/
Que nenhum labor/
Sequer um dia, poderá curar/
Pobre do eu.../
Mal consegue dizer/
Que nada importa ser só meu/
Sem antes ser todo seu/
Assim como já é.
Dois tempos
Quão diferente seria/
Se fossemos por fora/
O que realmente somos por dentro/
Será que alguém entenderia?/
Se não, deixemos de lado os outros/
O que importa somos nós/
Vivamos então, eu, você e a sua voz/
A nossa maneira/
Pois sou todo interior./
Não é todo sol que acorda disposto/
E nem toda lua se deita na cama/
Será o céu pequeno demais para esses dois astros?/
Nosso tempo se assemelha/
E existe na reciprocidade/
Não se dissolve nas águas mundanas/
Vivamos então, eu, você e a minha voz/
A nossa maneira/
Pois você é toda interior./
Quantas folhas o calendário já não virou?/
E os verões, quantos deles ainda terão de passar?/
E nesse tempo, surgiu um novo templo/
Era o nosso templo, e tinha como tempo, nós dois./
Por mais distancia que havia entre os tempos./
Diferente de tudo que aconteceu naquela noite/
Pela madrugada a fora, nas ruas da cidade, pelos bares do centro.../
Foi diferente, pois nada se compara, muito menos se comprara.
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